[Análise] Memórias de Emanon e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Memórias de Emanon é um mangá baseado no livro de Shinji Kajio, publicado em 2008 na Comic Ryu. A história tem uma sequência chamada Susurai Emanon. Conta a história de um garoto que viajava em um barco e conhece uma mulher de 20 anos que não tem nome, mas pede pra ser chamada de Emanon (No Name de trás para frente). A garota consegue lembrar de tudo que aconteceu na Terra desde o surgimento da vida.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um filme americano de drama/comédia/ficção científica de 2004. Dirigido por Michel Gondry e com roteiro escrito por Charlie Kaufman. A história trata sobre o relacionamento de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet – aquela do Titanic), na verdade sobre o fim e recomeço dele, uma vez que Clementine apaga Joel de sua memória com um tratamento médico e Joel tenta fazer o mesmo. Tenta.

As duas histórias tem uma temática em comum, memórias. Obviamente por serem duas mídias diferentes, provenientes de culturas diferentes, elas não abordam o tema da mesma forma.

Em Memórias de Emanon, a protagonista vê sua “habilidade” como forma de desgraça ou doença genética, pois devido a isso ela não pode esquecer de todas as coisas horríveis que aconteceram durante bilhões de anos. Emanon diz que o ser humano tem a capacidade de esquecer justamente para que não fique remoendo erros e acontecimentos passados. O mesmo é dito em Brilho Eterno (vou chamar assim porque o nome é muito grande), quando o médico responsável pela criação do tratamento justifica o motivo de ter criado tal tratamento.

No início de cada uma das histórias, as memórias são tratadas como se fossem desgraças, coisas que servem apenas para atormentar. Mas, no decorrer de ambas, esse ponto de vista muda. Em Emanon muda a partir do momento em que o garoto que conversava com Emanon diz que deveria haver alguma razão por trás da capacidade de Emanon de poder lembrar de tudo, ela deveria ser uma forma de testemunha da vida na Terra. Enquanto em Brilho Eterno, essa mudança ocorre no decorrer da operação de Joel para apagar suas memórias com Clementine. A operação começa apagando as memórias mais recentes até chegar às primeiras memórias. Isso faz com que Joel perceba o quanto ele e Clementine eram felizes e o quanto ele a amava.

As duas histórias são mostradas de maneira magnífica. Em Emanon, temos uma arte impecável, cheia de detalhes e em certos quadros você vai simplesmente parar para ficar admirando a beleza dos desenhos de Kenji Tsuruta, o “ilustrador” da obra. Já em Brilho Eterno, os efeitos usados pra mostrar que as memórias estão sendo apagadas são muito bons, às vezes sendo engraçados e outras vezes podendo até dar medo.

Afinal, para que serviriam as memórias? Por que nós temos a capacidade de esquecer, mas mesmo assim continuamos nos lembrando de coisas que consideramos ruins?

As memórias boas assim como as ruins, têm uma razão muito simples: lembrar-nos do que aconteceu (DERRR). Mas não simplesmente lembrar pelo fato de lembrar, mas sim lembrar e perceber o que pode ser aprendido a partir daquele determinado acontecimento, assim como ler um livro ou revista, não para simplesmente ler palavras, mas para obter informação daquilo. As memórias devem nos tornar mais humanos, nos fazer aprender com os nossos erros (ou com os erros dos outros), nos lembrar de o quanto já fomos felizes ou que certas coisas não valem a pena. As memórias, assim como todas as outras coisas no universo, podem ser coisas boas ou ruins, só depende da forma que são usadas.

Recomendo fortemente as duas obras. Tanto para quem gosta mais de filmes e tanto para gosta mais de mangás.

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4 Respostas para “[Análise] Memórias de Emanon e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

  1. Vi o blog no twitter, resolvi dar um olha e me surpreendeu.

    Parabéns cara, ótimo texto, nunca parei pra pensar em como essas duas obras de fato se parecem, é até engraçado como o tema da “memória” é algo tão pouco explorado em mídias em geral.

    O que é mais comum é termos a amnésia usada como recurso de enredo barato para a realização de uma apresentação rápida, mas a memória como o que nos define, é algo raro mesmo. Mas pra ver que se bem explorado, é um tema que pode render ótimas histórias, Emanon e Brilho Eterno são respectivamente um dos meus mangás e filmes favoritos de todos os tempos.

    Ótimo, fico ansioso pelo próximo post.

    • Obrigado mesmo, Judeu!
      Eu só pensei em fazer esse post porque coincidentemente li o mangá e assisti o filme no mesmo dia, então logo pude relacionar alguns pontos de ambas as obras. É como você disse, são obras sobre a memória como elemento que nos define, um elemento que nos torna humanos. São duas das minhas obras favoritas também. Fico muito grato que tenha gostado do post.

  2. Parabéns pelo ótimo texto!
    Acho que de fato é possível trabalhar as duas obras sob estes temas. Algo interessante abordado no filme é a relação entre memória e inconsciente, pois mesmo com o processo de esquecimento o personagem acaba sendo guiado inconscientemente a lugares e eventos que o ligam a garota amada.
    Já Emanon por hora fica mais na perspectiva da memória como identidade, personalidade, individualidade.
    Acho que conceitualmente dá pra fazer uma discussão interessante, pois o filme não concorda com essa tese, no caso.
    Ótimo texto, e ótimas obras, dois dos melhores mangás e filmes dos últimos anos.

    • Muito obrigado! Sim, concordo com você. Meu intuito era, como disse melhor o Judeu, dizer que as duas obras usam o elemento memória como algo que define o ser humano.

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