[Resenha] Aku no Hana – O desabrochar das flores do mal

AKN

Uma opinião sobre o mangá que deu origem a adaptação amada por alguns e odiada por outros.

Recentemente meu irmão me convidou para ver o anime baseado no mangá de mesmo título e fiquei fascinada pela ambientação melancólica e sombria dos dois episódios que vimos juntos. Como sou amante do gênero suspense e terror psicológico e motivada também pela música (aparentemente invertida) de encerramento do anime, li em um só dia os 43 capítulos do mangá disponíveis em inglês na internet e escreverei este pequeno “review” baseado em minhas primeiras impressões sobre a série que ainda está em andamento.

Obs: O contéudo a seguir contém comentários sobre certos desfechos da história (a.k,a spoilers). Se não pretende descobrir o que acontece antes de ler o mangá, recomendo fechar esta página agora.

Aku no Hana é classificado como shounen, mas no geral assumindo a forma de um seinen devido seu conteúdo, ambientação, tema, referências e vários outros elementos da trama que remetem a um público mais específico. Kasura Takeo é o personagem principal e representa a imagem típica de um garoto japonês introvertido. Seu diferencial é buscar a literatura e a poesia como um modo de sentir-se diferente dos demais, sendo sua inspiração Charles Baudelaire, escritor francês da obra “Les fleurs du mal” (As flores do mal). Obcecado por esta obra – mesmo sem compreendê-la – Kasura vive sua vida escolar idolatrando Saeko Nanako, a garota mais popular da sala por quem é apaixonado secretamente. Ao retornar pra casa junto com seu grupo de amigos, o garoto percebe que esqueceu na escola seu exemplar de “As flores do mal” e volta para pegá-lo, no entanto, depara-se com a sacola de roupas de ginástica de sua amada. Mesmo condenando a si mesmo, Kasura retira as roupas da moça e após alguns momentos de êxtase fungando o traje, percebe que havia mais alguém próximo à sala. No desespero, ele esconde as roupas e as leva pra casa e é aí que seu drama começa. Kasura é apresentado a Nakamura Sawa, a garota que sentava na carteira de trás, uma menina estranha, que não tem amigos e trata as pessoas com puro desprezo – e de brinde, carrega uma personalidade pautada na bizarrice – esta então revela que sabe que o menino roubou as roupas de Saeko e ameaça dizer a todos da classe sobre o ocorrido.

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Nakamura e Saeko

 A partir deste ponto, sendo pressionado e forçado por Nakamura a fazer as mais estranhas peripécias sob a regência de um “contrato” entre os dois, Kasura passa pelo seu primeiro de muitos dramas adolescentes e, até certo ponto, muitas vezes bobos e sem sentido para nós do ocidente, mas que deve fazer todo sentido na cabeça dos orientais. É alarmante o garoto se ver em uma situação de total desespero e medo e não conseguirmos entender o motivo de seu exagerado temor por Nakamura, talvez a falta de desenvolvimento prévio mais convincente de ambos os personagens. A história se desenrola e Kasura até consegue namorar Saeko, mas Nakamura já estava começando a transformar o interior do garoto, libertando lentamente uma nova e, em alguns momentos, desequilibrada personalidade, muito provavelmente ligada também aos sentimentos que o próprio possuía, mas desconhecia.

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Como eu citei anteriormente, Aku no Hana continua em andamento, mas até onde li no mangá, a história consegue realmente decepcionar em vários aspectos, frustrando totalmente suas expectativas quanto ao roteiro, ao mesmo tempo, Shuzuo consegue reviravoltas na história que fazem que mantenhamos o interesse na leitura, mesmo apenas por curiosidade de ver no que aquilo resultará. O fato de haver poesia inserida no enredo resulta em uma névoa de subjetividade que sempre deixa margem ao leitor de tirar suas próprias conclusões sobre os acontecimentos e sobre as motivações que levam os personagens a tomarem certas atitudes (como a metáfora das flores do mal abrindo e fechando os olhos ou a própria mensagem que a história tenta passar), dando um tempero a mais em tudo. Muitas vezes nos levando até a questionar quem são as flores do mal, o que representam e como se mostram, não só na trama, mas também em nossas vidas. Assim acompanhamos a árdua vida de Kasura Takeo, um Boudelaire moderno que aparentemente precisa experimentar seu próprio sofrimento, dor e “luxúria” para conseguir um entendimento pleno da sociedade e alcançar uma liberdade real, no entanto, definhando pouco a pouco durante o processo, até o ponto de tornar-se uma “monstruosidade social”. Nakamura e Saeki também têm um papel de destaque no desenrolar da história, buscando seus motivos para viver e tentando desesperadamente libertar-se do controle, da ideologia e dos padrões que a sociedade nos obriga a seguir e obedecer, cada uma a sua maneira.

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Kasura em um de seus muitos momentos emos.

 Sei que este pequeno texto não traz informação suficiente para englobar todo o mundo de Aku no Hana ou mesmo chegar-se a conclusão se vale a pena ou não acompanhar a série, mas eu realmente não recomendaria este mangá a qualquer pessoa e o motivo é a própria história em si. Como eu disse, existe um público seleto e muito específico que irá agradar-se desta trama e é ainda provável algumas decepções pelo caminho (isso mesmo, nada de meninas de seios fartos, magia, robôs gigantes e lutas que determinam o destino da Terra). Não me entendam mal, a história é boa, possuí algumas cenas impactantes e mesmo perturbadoras (agradeçam a Baudelaire), remetem a reflexões íntimas muito profundas, mas até o presente momento, não há nada de extraordinário também (depois de certa reflexão comecei a ter a sensação de que a ideologia anarquista está solidamente introduzida neste mangá, o que poderia mudar drasticamente minha opinião aqui, além da interpretação sobre a temática e os fatos decorridos na trama). Os desenhos de Oshimi Shuuzou evoluem consideravelmente durante estes 43 capítulos e muitas páginas enchem os olhos com composições quase realistas dos personagens. Leia Aku no Hana por própria conta e risco e ao fim, veja se valeu a pena as horas perdidas em frente à tela do computador.

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A Nakamura vai puxar o pé de quem não ler o Balões Quadrados!

@IsaaLbt

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4 Respostas para “[Resenha] Aku no Hana – O desabrochar das flores do mal

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